Mon

18

Jan

2010

Cavou...

Cavou........do fundo se ouvia o eco dos gritos, ele ditava as regras que conduzem ao descaso pela superfície, superficial, supérfluo.......interpretavam como loucura ou indiferença.....enquanto ele via o anel de luz sobre sua cabeça pelada que reluzia sem foco........o povo afoito berrava.......seu ódio e indignação contra aquele que sem margem  para separar mergulhava na escuridão do self....cavava com as mãos o solo do mundo sem fundo.....

 

eles bradavam......sai daí! .....isso não é nada!.... isso é muito pouco!!!.....

sempre diziam que alguns iam mais fundo..... uma comparação idiota....

 

Esta mera conclusão superfícial das coisas que escondidas trazem a segurança para os fugitivos...

 

“Nada é tão profundo para quem nunca se arriscou no mergulho” ele pensava...

 

Convicto de seu papel... continuou a cavar por anos a procura da pedra filosofal.....do self, dos eus até não poder mais ver a luz ou ouvir as vozes vindas mundo lá fora.........a não ser as várias de sua cabeça.....................................

 

Cavou, cavou..... Cravou as unhas na água e na terra argilosa e estas já não tinham semelhança alguma com as humanas, nem lembrava mais como era sua face ou a de outros humanos....

Cavou, Cavou, até seus olhos verem o fim e o início de seu tempo como homem.....

Cavou, cavou.......

 

ACHOU? .................................uma voz ressoou......esta palavra.....e antes mesmo de responder.......seus olhos viram a luz...............e ainda se ouve o eco: ACHOU?

 

Tiago Spina - quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 - 20:51:30

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